Os dias de verão

Os dias de verão vastos como um reino Cintilantes de areia e maré lisa Os quartos apuram seu fresco de penumbra Irmão do lírio e da concha é nosso corpo Tempo é de repouso e festa O instante é completo como um fruto Irmão do universo é nosso corpo O destino torna-se próximo e legível … LER MAIS

Como se estivesse em agosto

Estou todo no mês de agosto Estou escarranchado no lombo nutrido de agosto sentado à mesa de um café envolto no manto de múltiplas vozes olhando pela janela uma toalha de mar e a terra ao fundo debaixo do céu azul e branco do sol e do vento café e vozes céu terra e mar … LER MAIS

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das … LER MAIS

O amor como em casa

  Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraidíssimo percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas me prendem, uma tarde num café, um livro. Devagar te amo e às vezes depressa, meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, regresso devagar … LER MAIS

Ítaca

  Quando partires de regresso a Ítaca, deves orar por uma viagem longa, plena de aventuras e de experiências. Ciclopes, Lestrogónios, e mais monstros, um Poseidon irado — não os temas, jamais encontrarás tais coisas no caminho, se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime teu corpo toca e o espírito te … LER MAIS

Poema de Simão Botelho (“Amor de Perdição”)

Alguma vez se sentiram perdidos? Alguma vez te sentiste esquecido? Bem, eu sinto algo parecido Podem emprestar-me os vossos ouvidos? Tenho algo para partilhar Mas não tenho nada para dizer Desejava conseguir parar De ser quem desejava não ser Mudaria aquilo que destruí? Silenciaria as vozes na minha cabeça? Roubaram o amor que construí! Parece … LER MAIS

Natal e não dezembro

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido… Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos … LER MAIS

Poemas Breves

Rita e Maria 1.Por entre as flores, Numa dança coreografada, A borboleta de mil cores Pousa numa pétala delicada. 2. Branca e suave como algodão, Pairando como um balão, Preciosa como diamante em mar de escuridão, A Lua cintilante cabe inteira na minha mão.   Beatriz e Ana Nos obscuros e silentes oceanos Cardumes delicados … LER MAIS

O Gosto dos Caminhos Recomeçados

O que te peço, Senhor, é a graça de ser. Não te peço sapatos, peço-te caminhos. O gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas e suas mudanças. Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida. Não te peço que pares o tempo na minha imagem … LER MAIS