Poema de Simão Botelho (“Amor de Perdição”)

Alguma vez se sentiram perdidos? Alguma vez te sentiste esquecido? Bem, eu sinto algo parecido Podem emprestar-me os vossos ouvidos? Tenho algo para partilhar Mas não tenho nada para dizer Desejava conseguir parar De ser quem desejava não ser Mudaria aquilo que destruí? Silenciaria as vozes na minha cabeça? Roubaram o amor que construí! Parece … LER MAIS

Natal e não dezembro

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido… Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos … LER MAIS

Poemas Breves

Rita e Maria 1.Por entre as flores, Numa dança coreografada, A borboleta de mil cores Pousa numa pétala delicada. 2. Branca e suave como algodão, Pairando como um balão, Preciosa como diamante em mar de escuridão, A Lua cintilante cabe inteira na minha mão.   Beatriz e Ana Nos obscuros e silentes oceanos Cardumes delicados … LER MAIS

O Gosto dos Caminhos Recomeçados

O que te peço, Senhor, é a graça de ser. Não te peço sapatos, peço-te caminhos. O gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas e suas mudanças. Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida. Não te peço que pares o tempo na minha imagem … LER MAIS

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava o dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas, 197

Pai, Dizem-me que Ainda Te Chamo

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante o sono – a ausência não te apaga como a bruma sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos meus sonhos um território suspenso de toda a dor, um país de verão aonde não chegam as guinadas da morte e todas as conchas da praia … LER MAIS

À descoberta do “Livro de Cesário Verde”

Os alunos de 11º ano partiram à descoberta do Livro de Cesário Verde e dessa aventura resultaram alguns exercícios interessantes de intertextualidade . Aqui ficam alguns poemas em diálogo com outras vozes artísticas. 1 EU e ELA Cobertos de folhagem, na verdura, O teu braço ao redor do meu pescoço, O teu fato sem ter … LER MAIS

Se eu pudesse trincar a terra toda

Se eu pudesse trincar a terra toda E sentir-lhe um paladar, Seria mais feliz um momento … Mas eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez em quando infeliz Para se poder ser natural… Nem tudo é dias de sol, E a chuva, quando falta muito, pede-se. Por isso tomo a infelicidade … LER MAIS