À maneira de Saramago…

Ai de mim, homem de pouca fé, murmura um velho ao pé da estátua do pobre general. Poderia ter sido um pensamento do nosso poeta, nosso salvo seja, que isso implicaria uma pequena carícia, um trocar de olhares, não que ele já não tenha deliciado os prazeres carnais, os caminhos de deus são insondáveis, fosse … LER MAIS

Medo de ti

Caminhava em direção à escola, arrastando as solas dos sapatos desgastados pelo chão áspero e frio do inverno rigoroso, enquanto os pássaros entoavam os seus cânticos melancólicos. A minha face e braços eram cortados pelo vento álgido, à medida que o meu cabelo esvoaçava acolhido nos seus braços. Após passar por várias ruas sinuosas e … LER MAIS

Medo

Por aquela altura ainda tinha medo. Nos dias insípidos de inverno, escondia-me do mundo, trancava-me nos meus pensamentos e esquecia-me de quem era. Pensava que assim tudo se resolveria. Não é verdade que o tempo cura tudo? Não, respondo. “Talvez se ignorar esta angústia, ela desaparece”, pensava eu. Pensamento tão absurdo e incongruente, que tinha … LER MAIS

Um Cartão Misterioso IV

O calor percorria-lhe o corpinho delicado desde a ponta dos dedos até à sua cara de porcelana, tingindo-a de um tom vermelho vibrante. As suas mãos impacientes deslizavam suavemente sobre cada letra, de cada palavra do tal poema, numa busca desenfreada pelo profundo significado daqueles apaixonantes versos. Sara registava nervosamente todas as hipóteses infundadas num … LER MAIS

Páginas Soltas (Diários)

 Oceano Atlântico, 6 de julho de 1588   Que barulho ensurdecedor ressoava na parte exterior do convés! Avistei o capitão muito sobressaltado e percebi logo o que se passava quando levantei o olhar e me deparei com uma enormíssima extensão de terra. Um sentimento de profunda felicidade apoderou-se de mim, tornando este despertar precoce, às … LER MAIS

Um Cartão Misterioso III

Ainda surpresa, passou o resto do longo dia perdidamente entregue aos seus pensamentos. Várias questões atravessavam a sua mente como setas: “Quem escrevera o bilhete?”, ”Será que o conheço?”, ”Quem será?”… Assim, com um desejo ávido de descobrir o poeta que atingira fortemente o seu coração, dirigiu-se a casa ao fim de um longo dia, … LER MAIS

Um Cartão Misterioso II

No dia seguinte, Sara dirigiu-se novamente à livraria. Calcorreou nervosamente todos os corredores, observou ansiosamente cada detalhe de cada estante, de cada prateleira, de cada livro. Mas nada. Nem um único sinal. Sentindo-se pesarosamente abalada pela ânsia que, sem aviso, a deixara, sentou-se numa cadeira. Então, como que numa miragem miraculosa, ele apareceu. Alto, cabelo … LER MAIS

Um Cartão Misterioso

“Uma manhã, quando se dirigia à secção de poesia, como costumava fazer depois de tomar café, houve algo que lhe chamou a atenção. Ali, encaixado entre dois livros, um pequeno cartão de cor azul sobressaía de um modo apelativo. […] Já no gabinete, abriu o livro e examinou o cartão com maior cuidado. Ali estavam … LER MAIS

A Fábrica de Palavras

  Os alunos responderam, assim, ao desafio.   (…) —  Olha, mãe, olha o que eu sei dizer, “abóbora”, “amora”!  —  Muito bem! Já estão uns homenzinhos! E tudo não passava desta alegria de cantarolar palavras, por vezes sem fazer a menor ideia do que elas significam, uma alegria tão inocente como a de quem … LER MAIS