“Chocolate”, de Joanne Harris

Chocolate, publicado em 1999, revelou-se um sucesso, tendo recebido um dos mais prestigiados prémios da literatura britânica (Whitbread Award) e sendo adaptado ao cinema. Joanne Harris, a autora, é uma escritora britânica, com ascendência francesa, o que explica a sua ligação a França, visível na obra em análise.

A diegese do livro ocorre na aldeia de Lansquenet-Sur-Tannes, em França. Socialmente, é um local parado no tempo, onde a religião se sobrepõe a tudo e que está fechado ao exterior. Quanto à localização temporal, não há referências precisas, apenas sabemos que se desenrola durante o tempo pascal, contudo, posso deduzir que se situe em inícios do século XX, devido a algumas particularidades, como a falta de eletricidade.

A obra está organizada em forma de diário, alternando entre a voz de Vianne Rocher e Francis Reynaud, sendo ambos narradores participantes. Vianne é uma jovem mãe solteira que se quer estabelecer na aldeia com a filha e abrir uma chocolataria. Porém, tem de enfrentar o padre Reynaud, que repudia os seus atos por considerar o chocolate uma tentação. Assim, a narrativa incide no confronto entre estas duas personagens aparentemente antagónicas: a primeira, ousada e ateia, com uma visão à frente do seu tempo, e a segunda, austera, conservadora e fanática pela religião. Contudo, é curioso destacar que, posteriormente, num momento de fraqueza do pároco, em que invade a chocolataria e se rende aos seus encantos, vemos o seu lado mais humano, o que, a meu ver, mostra que as duas personagens são, na verdade, semelhantes.

Concluindo, considero fascinante o caráter provocador da obra, que quebra os paradigmas, ao criticar a religião e ao emancipar a mulher, e desperta no leitor uma variedade de sentidos, sendo, por conseguinte, referido como “Um (doce) romance de sabores e afetos”.

Diana Duarte, 10.ºC

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