“Solidariedade: vai e vem!” (2.º Prémio do Concurso Literário da APELF)

Estava um dia fantástico em Coimbra. O sol pairava em praticamente toda esta magnífica cidade banhada pelo Mondego, um rio cheio de história. O João, um grande defensor dos animais, encontrava-se ainda a dormir na sua confortável e aconchegante caminha. Assim, não iria usufruir do bom tempo que enchia de luz e calor toda aquela cidade.

Desconhecia que aquele dia ia ser um dia especial. Celebrava-se o Dia Regional da Solidariedade para com os Animais e ele não o podia deixar passar em branco.

Quando acordou, já era bastante tarde. João ficou tristíssimo ao perceber o tempo que tinha desperdiçado. O que estariam a pensar os animaizinhos, de que tanto gostava e que desesperadamente precisavam dele?

Rapidamente, dirigiu-se para o habitat dos seus amiguinhos, o denso e frondoso bosque da Quinta das Lágrimas. Deu-lhes água, biscoitinhos próprios para animais e principalmente, compensou-os, dando-lhes muitos miminhos. Levou um lanche recheado de coisas boas e fez um piquenique junto deles, estendendo no chão uma grande toalha de algodão da sua mãe cheia de quadradinhos vermelhos e brancos que depressa se encheu de migalhas e, mais tarde, de formigas.

Estava já a escurecer e a sua mãe tinha-lhe recomendado que não chegasse tarde a casa, mas os animais estavam tão entusiasmados com a sua presença que não o deixavam ir embora. Afinal de contas, tinham estado tão pouco tempo na sua companhia e gostavam tanto dele!…

Mas o João tinha mesmo que ir para sua casa. A noite já caía. O bosque tinha muitas árvores grandes, ficando, para além da clareira onde estava, tudo muito escuro. A mãe devia estar preocupadíssima! João começou a soluçar baixinho, mas os animais não sabiam o que fazer para o consolar.

Foi então que pensaram em uivar alto para avisarem o cão da mãe do João. Ele saberia como “comunicar” à mãe do menino que o seu filho precisava de ajuda. Assim foi. O apelo foi ouvido e passado à senhora que não tardou a chamar a polícia. Juntos foram para o bosque. Encontraram o João em lágrimas, mas sempre acompanhado pelos seus grandes amigos que o aqueciam e confortavam.

O menino não se esqueceu de lhes agradecer a sua solidariedade. Mas eles pareciam responder-lhe: “Não foi nada de especial, comparado com o que tu nos dás sempre, querido João!”

 

Matilde Seabra Pedrosa Botelho de Sousa

“Brinco-de-princesa” – 5º D

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