A Desigualdade Social em “Capitães de Areia”, de Jorge Amado

A desigualdade social tem sido, desde sempre, um tema desenvolvido em diversas artes: na pintura, no desenho, no cinema ou na escrita. A obra Capitães da Areia, de Jorge Amado, é um forte exemplo da abordagem desse tópico de reflexão na literatura.

Com o objetivo de expor a sua perspetiva, Jorge Amado apresenta os dois extremos da sociedade brasileira: por um lado, os Capitães da Areia, protagonistas do enredo, e várias personalidades em torno deles, desde padres a prostitutas, que representam a classe social baixa; por outro, a elite de Salvador, classe privilegiada, que simboliza um meio social bastante superior. Desta forma, o autor estabelece um contraste bastante evidente ao longo de toda a obra.

Esta funciona como um romance de aventuras. Contudo, a importância dos personagens não se resume aos episódios narrados. A análise social é transmitida pela perceção, por parte do autor, de que o sistema político e económico potencia as injustiças inerentes ao próprio modelo. Uma vez que os Capitães da Areia são apresentados como vítimas da sociedade na qual se inserem, não poderiam ser vistos como opressores, mas sim como oprimidos.

Logo no início da obra, verificamos uma certa parcialidade da elite baiana em relação aos meninos de rua, personagens principais da ação. Nos excertos de cartas e reportagens presentes no começo do livro, essa classe alta caracteriza-os como delinquentes e “um bando de demónios” (página 16). Além disso, é de notar o sentimento de vingança alimentado pelo bando de rapazes em relação à classe alta, que se consuma através do roubo.

Em suma, quero salientar que, apesar do livro ter sido escrito em 1937, é ainda válido, hoje em dia, como manifesto contra as desigualdades intrínsecas aos modelos políticos e sociais contemporâneos. Na verdade, passado quase um século, a realidade brasileira vive, atualmente, as mesmas dificuldades que a sociedade retratada na obra.

Maria Nascimento, 10.ºC

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