“O Japão é um lugar estranho”, de Peter Carey

O Japão é um lugar estranho é uma narrativa de intervenção na vida contemporânea. O jornalista Peter Carey, autor e narrador, viaja com o filho Charley ao Japão, com o intuito de se aproximar do adolescente, constituindo esta viagem o principal modo de cativar o leitor para as vantagens culturais que advêm do confronto de civilizações.

Através da constatação do interesse do filho pela cultura japonesa, sobretudo evidenciada na preferência deste pela manga (banda desenhada japonesas) e pelo anime (filmes animados japoneses), o jornalista aproveita a oportunidade para estabelecer laços familiares mais fortes com o jovem e, simultaneamente, divulgar aspetos culturais exóticos e surpreendentes para os ocidentais que desconhecem este país asiático. Assim, ficamos a conhecer aspetos relacionados com o vestuário, a gastronomia e a informática que ultrapassam os habituais clichés turísticos. Além disso, são-nos reveladas requintadas preocupações poéticas e artísticas de grande profundidade e sensibilidade comuns a todos os japoneses, principalmente na manga e anime, tanto no aspeto físico e material dos desenhos como no conteúdo das mensagens que pretendem transmitir.

Por outro lado, o narrador também evidencia as diferenças de mentalidade que no final da viagem se combinam e se permutam, tal como é visível no gesto de despedida de Charley e da avó de Takashi, que o beija na testa à moda ocidental. Esta simbiose é uma linha apontada para a globalização, a consumar-se essencialmente no futuro da humanidade.

A narrativa apela ainda à pacificação mundial, quando o senhor Yazaki interpreta os bombardeamentos de Yamanote, Kofu, etc, nos mais fortes anime até hoje produzidos. A história de Seitá e da sua irmãzinha Setsuka equivale a qualquer um dos grandes filmes de Miyasaki. O universalmente conhecido Godzilla também nasceu como um símbolo da destruição causada pelas muitas bombas atómicas que afetaram todas as vidas no Japão.

Em suma, este livro, sendo apenas uma obra de caráter jornalístico e não possuindo um estilo literário marcante, vale pelas perspetivas que oferece na valorização das viagens e no enriquecimento que proporcionam. Do mesmo modo, atualiza-nos quanto às preferências dos mais jovens, que são os adultos do futuro.

Margarida Ramos, 10.ºA

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *